O ciclista Rui Lavarinhas abraçou um novo desafio, mantendo, no entanto, a bicicleta como denominador comum. Após 20 anos como corredor profissional em equipas nacionais de renome, dedicou-se à adrenalina do BTT, conquistando, em pouco tempo na competição, um título nacional.

Depois de quase duas décadas ligado ao ciclismo de estrada, a nível profissional, Rui Lavarinhas, corredor natural de Viana do Castelo, colocou um ponto final na sua carreira em 2007, abraçando, já em 2008, um novo projecto. Também em bicicletas, mas desta feita ligado ao BTT, onde logo no seu ano estreia sagrou-se campeão nacional da modalidade, na categoria de maratona.
O sucesso no BTT foi construído em apenas alguns meses e, apesar de confessar que ainda tem muito a apreender no todo- o-terreno, o ciclista vianense reconhece que é já um adversário temido pela concorrência.
“Quando se entra a ganhar, como aconteceu no meu caso, tornamo-nos temidos e respeitados. Comigo não foi só pelo historial que tinha, mas antes pelos bons resultados que obtive, quase desde início, no BTT”, analisou.

Os ensinamentos da longa carreira de ciclista na estrada valeram-lhe aquilo que considera de “rodagem”, mas, em tudo o resto, teve de se adaptar “a uma nova forma de estar em cima da bicicleta”.
“A vantagem que tenho são os quilómetros de experiência que reuni ao longo da minha carreira, mas em termos de técnica tudo é novo. Tive de me adaptar a uma bicicleta diferente, a um novo tipo de terreno e a uma nova estratégia de corrida”, diz Rui Lavarinhas, acrescentado: “Na estrada é tudo mais táctico e mais rápido, no monte temos de estar atentos a pedras e buracos, nunca sabemos o que vamos encontrar na curva seguinte. O esforço nesta modalidadetambém é grande, mas nunca tão intenso”.
Quanto à adrenalina, o ciclista descreve-a como semelhante nestas duas vertentes do ciclismo. “Na estrada atingimos quase 100 km/h, fazemos curvas muito rápidas, é tudo muito empolgante. Nos trilhos a adrenalina é constante pelos obstáculos que temos de superar”.
Quanto a ver ex-colegas de pelotão profissional seguirem o seu exemplo, trocando as estradas pelos trilhos da montanha, Rui Lavarinhas mostrou-se muito reticente: “Não será fácil de acontecer. Quem pratica ciclismo de estrada, a nível profissional, priva-se de muitas coisas. Quando se deixa a modalidade sai-se saturado das bicicletas e é muito difícil voltar a competir em qualquer vertente”.|
Fonte: DN